PESS do Trigêmeo — Potencial Evocado Somatossensitivo

SEP trigeminal · Subcorticais W₁–W₃ · Corticais N13/P19 · Cruccu/IFCN · Leandri · Assimetria interlado

O PESS do trigêmeo (potencial evocado somatossensitivo do V par) avalia a condução sensitiva até o tronco encefálico e o córtex somatossensitivo. As respostas de curta latência (W₁–W₃, < 10 ms) refletem a condução periférica até o tronco; as de média e longa latência (N13, P19, N27, P34) refletem o trajeto tálamo-cortical. Segundo Cruccu et al. (2008) e recomendações da IFCN, a comparação interlado no mesmo indivíduo é o critério mais robusto para detectar lesão na via trigeminal.

Trigêmeo (SEP)

Parâmetro Lado D Lado E Dif. D–E Limite Result.
Sobre o PESS do trigêmeo

A avaliação do PESS trigeminal divide-se em respostas subcorticais (condução periférica até o tronco) e corticais (trajeto tálamo-cortical). Os valores abaixo fundamentam as recomendações da International Federation of Clinical Neurophysiology (IFCN).

1. Potenciais de curta latência (subcorticais)

Registrados nos primeiros 10 ms; morfologia em «W» descrita por Leandri et al.

Componente Sítio gerador Latência média Referência
W₁Gânglio de Gasser / nervo periférico1,8 ± 0,2 msLeandri et al. (1985)
W₂Zona de entrada da raiz no tronco (REZ)2,5 ± 0,2 msLeandri et al. (1985)
W₃Complexo nuclear trigeminal sensitivo3,5 ± 0,2 msLeandri et al. (1985)

2. Potenciais de média e longa latência (corticais)

Variação conforme o ramo estimulado (mentoniano vs infraorbitário). Nomenclaturas alternativas entre laboratórios.

Componente Nomenclatura alt. Sítio gerador Latência média Referência
N13N1 / N14Córtex somatossensitivo primário (chegada)12,5 – 14,1 msSingh et al. (1982) / Rossini et al. (2006)
P19P1 / P20Córtex somatossensitivo primário18,5 – 20,6 msStöhr et al. (1981) / Cruccu et al. (2008)
N27N2 / N26Córtex associativo parietal precoce26,0 – 27,6 msFindler et al. (1984) / Rossini et al. (2006)
P34P2 / P30Componente cortical tardio34,0 ± 6,8 msRossini et al. (2006)

Critérios de anormalidade (Cruccu et al., 2008)

  • Assimetria de latência: diferença nas ondas corticais N13/P19 superior a 0,6–1,0 ms entre o lado afetado e o sadio — indicador mais confiável de atraso de condução (seletor na calculadora).
  • Assimetria de amplitude: redução pico a pico do complexo N13–P19 superior a 50% em relação ao lado assintomático — sugere perda axonal ou bloqueio de condução severo.

Veja também: PESS mediano e tibial · PESS pudendo · PESS cutâneo femoral lateral

Ferramenta de apoio clínico. Não substitui laudo do especialista em neurofisiologia clínica.